"Para mim foi um dia normal, como os outros. Tinha 39 anos, comecei a atirar com 25, portanto já eram 14 anos e tantas de dezenas de triunfos. Costumo dizer que foi mais uma prova ganha. Claro que marca de maneira diferente, porque são os Jogos Olímpicos. Tem um sabor especial, por ser olímpico", afirmou.Em entrevista à Agência Lusa, Armando Marques confessou que só se apercebeu da importância do feito "oito dias depois", porque foi apenas mais uma competição..O atirador lembrou que "não houve" grandes festejos em Montreal, recordando os "oito emigrantes" que o "apoiaram do princípio ao fim" e com quem jantou após a competição.."Os festejos penso que foram feitos cá, quando ainda lá estava, porque penso que o país vibrou com a medalha. Tive essa confirmação quando cá cheguei. O Comité pediu-me para ficar para virmos em caravana. Quando chegámos foi simpático, sem dúvida. Fomos recebidos principescamente", afirmou..Armando Marques, que perdeu a prova por apenas um prato, diz que foi uma "satisfação pessoal muito grande, como é lógico, porque qualquer atleta ambiciona sempre o máximo".."Para a minha vida trouxe coisas boas e más. As invejas são uma coisa má, diabólica. Entendo que para o país foi bom, para a modalidade foi óptimo, porque estava muito na mó de baixo", referiu..De acordo com o atirador, a medalha conquistada em 1976, que pôs fim a um jejum de 16 anos de medalhas olímpicas portuguesas, calou muitos invejosos.."Eu sentia-me bem na altura. Disse a alguns amigos que se me encontrasse lá (em Montreal) como estava aqui, em boa forma, ia dar desgostos a muita gente e, na realidade, foi isso que aconteceu, dei desgostos a muita gente, sobretudo aos invejosos", afirmou..Dizendo "sentir saudades", o atirador, que ainda pratica tiro, lamentou ainda o facto de, desde 1976, Portugal não ter voltado a conquistar qualquer medalha nos Jogos Olímpicos, na sua modalidade.